HOMEOPATIA E COMPORTAMENTO CANINO



HHHHHHOMEOPATIA E COMPORTAMENTO CANINO


M.V. Celso Affonso M. Pedrini

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Distúrbios comportamentais são preponderantes para o abandono de cães por parte de seus proprietários, sendo que uma grande parcela desses cães rejeitados pelos seus donos termina sendo sacrificada. O tratamento homeopático proporciona excelentes resultados em caninos com alterações de comportamento, como, por exemplo, agressão, fobia de barulho, ansiedade de separação, vocalização excessiva, hiperatividade, transtorno compulsivo, etc. Todavia, para obtermos um alto grau de eficácia no tratamento destas condições, precisamos respeitar a concepção de saúde e doença em Homeopatia, que é diferente da Medicina Clássica. Dessa forma, o objetivo não é apenas focar a terapêutica em uma determinada alteração comportamental específica, mas abordar, compreender e tratar cada paciente em sua integralidade, através de um profundo e minucioso estudo da totalidade de seus sintomas, visando a sua individualização. Assim, com um tratamento específico e individualizado para cada paciente, teremos condições de alcançar resultados altamente satisfatórios, proporcionando uma vida mais harmônica, equilibrada, saudável e de qualidade aos nossos melhores amigos. Consequentemente, seus responsáveis ficarão felizes e plenamente satisfeitos.

De acordo, com Bonnie B. Beaver, em "Comportamento Canino: Um Guia para Veterinários" (Ed. Roca, 2001), o vínculo entre o homem e o cão ocorre há cerca de dez mil anos, sendo este o animal doméstico que há mais tempo está associado com o ser humano. Supõe-se que o cão (Canis familiaris) foi gerado a partir do lobo (Canis lupus), sendo a organização social deste último a mais semelhante da humana, dentre os canídeos silvestres, especulando-se que a domesticação dos lobos teria ocorrido a partir de uma relação de benefícios recíprocos. Beaver relata, ainda, que a domesticação é um processo complexo, englobando uma grande quantidade de animais selecionados para acasalamento durante diversas gerações, com o propósito de realçar as qualidades desejáveis. Entretanto, a consequência de tal procedimento é uma espécie biologicamente alterada em sua morfologia, fisiologia e comportamento. As características comportamentais conservadas na transição de Canis lupus para Canis familiares foram incremento na frequência de comportamentos de busca de cuidados, pedido de alimentos de uma forma submissa, redução de temores, oportunidade de períodos de atividade, curiosidade, brincadeira, redução de territorialismo e intensificação da procura de contatos sociais. (BEAVER, Bonnie B. Comportamento Canino: Um Guia para Veterinários. São Paulo, Ed. Roca, 2001, pp. 1-5)

Além da finalidade de serem animais de estimação e companhia, os cães também podem prestar serviços, como os cães-guia para cegos, fazendo parte de equipes de busca e resgate, atuar como professores de crianças ou como terapeutas para quem precisa de atenção. A estimativa atual é de que existam cerca de 400 raças diferentes de cães, com diferenças comportamentais entre elas, em função do fortalecimento de características próprias, decorrentes do acasalamento seletivo. Uma investigação dos motivos que levam uma pessoa a ter um cão nos EUA apontou que 54% dos proprietários de cães apresentam dependência emocional de seus animais, sendo que cerca de 90% dos proprietários sentem que o seu cão é ou quase é um membro da família (BEAVER, 2001). No Brasil, em recente pesquisa realizada pelo Ibope Inteligência, 44% dos donos de cachorros consideram o cão um filho (SCIREA, Bruna. Quem são os donos de cães e gatos. Zero Hora, 18 e 19/06/2016, pp. 28 e 29). Entretanto, de acordo com Beaver, apenas 38% dos proprietários norte-americanos mantém seus cães de estimação a longo prazo. Estima-se que, anualmente, milhões de cães sejam rejeitados, sendo enviados para novos lares, abandonados em abrigos de animais e canis, ou soltos na rua. Os distúrbios comportamentais são apontados como a única razão para o descarte do animal, sendo responsáveis por 70% das mortes. Dentre as queixas mais comuns estão comportamento de defesa territorial, superproteção do proprietário, vocalização excessiva, comportamentos destrutivos, latidos, saltos sobre pessoas, agressão e sujeira da casa. Além disso, em torno de 66% dos cães abandonados em abrigos acabam sendo sacrificados, estimando-se que de 4-9 milhões de cães sejam mortos anualmente nos abrigos de animais e canis dos EUA. (BEAVER, Bonnie B. Comportamento Canino: Um Guia para Veterinários. São Paulo, Ed. Roca, 2001, pp. 5-15)

Para o filósofo francês René Descartes (1596-1650), os animais seriam criaturas autômatas, como máquinas, não possuindo inteligência ou sentimentos. Nicolas Malebranche (1638-1715) resumiu a visão animal sob o paradigma cartesiano: "Animais comem sem prazer, choram sem dor, agem sem saber, não desejam nada, não temem nada, não sabem nada" (MARQUEZI, Dagomir. Algo de novo no reino dos humanos. Galileu, nº 197. São Paulo, Ed. Globo, dezembro/2007, pp. 40-51). Por muito tempo, este pensamento serviu de justificativa para praticar todo o tipo de atrocidades contra os animais, como torturas, caça indiscriminada e experimentos "científicos" de toda espécie, sem nenhuma preocupação com a vida ou o bem-estar dessas inocentes vítimas.

Entretanto, todo o ser humano que convive, de uma forma mais próxima, com os animais, sabe que eles demonstram alegria e tristeza, felicidade e sofrimento, prazer e dor. E eu vou além: os animais possuem inteligência, sentimentos e emoções. Como no caso de um chimpanzé, que recebeu aulas para aprender a linguagem dos sinais (a mesma usada por pessoas surdas e quase virou cobaia, mas foi salvo por uma campanha popular. Um fato interessante é que ele fazia o sinal de "desculpas" para os membros de sua espécie depois de alguma confusão na jaula em que viviam em comunidade (NOGUEIRA, Salvador. Dublês de corpo. Galileu, nº 202. São Paulo, Ed. Globo, maio/2008, p. 46). Ou como no caso de uma cadela, da raça Border Collie, que compreende 340 palavras (National Geographic Brasil, nº 96. São Paulo, Ed. Abril, março/2008, pp. 45-46). E poderíamos citar tantos outros exemplos... Posso dar meu próprio testemunho, pois convivi com diversos cães em minha vida. E todos eles demonstravam inteligência, sentimentos e emoções, cada um à sua maneira, de acordo com suas peculiaridades. Sempre consegui estabelecer uma comunicação satisfatória com todos eles. Na minha opinião, os cães compreendem o que falamos, inclusive o sentido das palavras; se não em todas as ocasiões, ao menos em relação ao nosso tom de voz e a forma como nos dirigimos a eles. Sem falar da linguagem dos sinais, que é universal, sendo que, muitas vezes, um simples olhar fará com que o cão nos compreenda. E ainda tem a questão da telepatia, proposta por Rupert Sheldrake, que abordarei mais adiante. Na verdade, suspeito que nós, seres humanos, é que ainda possuímos uma sensibilidade um tanto limitada, para compreendermos os nossos amigos caninos em toda a sua plenitude. Uma reportagem sobre "como os animais pensam" abordou o tema de que "diversas espécies podem inferir conceitos, formular planos e até empregar a lógica na resolução de problemas", sendo que "Atualmente a maioria dos pesquisadores já considera a possibilidade de que ao menos alguns animais sejam capazes de pensar". Quanto à questão dos sentimentos, "Estudos sobre o metabolismo do cérebro fornecem evidências de que os sentimentos dos animais talvez não sejam muito diferentes dos sentimentos dos seres humanos, pois entre eles há processos cerebrais comuns" (GOULD, James L. & GOULD, Carol G. Como os animais pensam. Scientific American - Mente Cérebro, nº 39. São Paulo, Ed. Duetto, pp. 11 e 25).

Veja que interessante esta reportagem, publicada no jornal Zero Hora, em 31 de agosto de 2016, sobre um estudo que conclui que os cães podem distinguir palavras e entonações, sugerindo que os mecanismos neurais de processamento de palavras não são específicos de seres humanos:

"Um novo estudo sobre o melhor amigo do homem sugere o que muito dono de cachorro já considera confirmado: os cães conseguem distinguir palavras e entonações. A pesquisa foi publicada na revista Science. O trabalho realizado por pesquisadores da Universidade Eotvos Lorand, de Budapeste, mostra que o cérebro canino é capaz de interpretar tanto o que dizemos quanto o como dizemos. Os cães, como os humanos, usam o hemisfério esquerdo do cérebro para interpretar palavras e regiões do hemisfério direito para analisar a entonação. O centro de prazer do cérebro é ativado apenas quando as palavras de gentileza e elogio são acompanhadas pela entonação apropriada, segundo determinaram os pesquisadores." (Zero Hora, nº 18.557. Porto Alegre, 31/08/2016, p. 34)

Uma reportagem da Revista SuperInteressante, de março/2009, com texto de Alexandre Versignassi, Bruno Garattoni, Emiliano Urbim, Karin Huek e Larissa Santana, traz na capa a instigante manchete: "Cachorros - Porque Eles Viraram Gente", afirmando que eles melhoram a autoestima, trazem a mesma felicidade que um bebê e combatem a solidão urbana. Mas traz um alerta de que essa relação pode trazer consequências nefastas, para ambas as partes. O cruzamento de animais da mesma família aperfeiçoa e embeleza as raças, mas trouxe uma enormidade de doenças de caráter genético. Além disso, estima-se que 42% dos cães tenham algum tipo de distúrbio comportamental, sendo que os cães têm 9 vezes mais distúrbios psicológicos do que os seres humanos. E 77% deles tomam algum tipo de medicamento, como ansiolíticos, antidepressivos e inibidores de apetite. Apesar de aparentar um procedimento um tanto severo, drogar os cachorros poderia evitar muitos dos 1,5 milhão de cães que são sacrificados anualmente, nos EUA, por terem mordido alguém. Entretanto, o Médico Veterinário Nicholas Dodman, da Universidade Tufts, nos EUA, afirma que muitos dos supostos problemas fazem parte do comportamento normal dos animais. O especialista húngaro Ádam Miklósi enfatiza que erros no manejo, ou seja, na forma como tratamos nossos cães, como, por exemplo, mimando-os demais, não nos impondo com eles, acabam sendo a origem de grande parte desses desvios de comportamento. A reportagem conclui afirmando que cientistas americanos conseguiram provar algo que já se imaginava há muito tempo, que o temperamento do cão é diretamente influenciado pela personalidade do dono. (VERSIGNASSI, A. et al. Humano. SuperInteressante, ed. 263. São Paulo, Ed. Abril, março/2009, pp. 54-63)

De acordo com os estudos de Rupert Sheldrake, ao pesquisar a ligação entre cães e seus donos, em torno de 50% dos cães apresentam comportamento antecipatório antes de seus proprietários chegarem em casa, sendo que, na maioria dos casos em que a chegada foi antecipada, as pessoas relataram sentir uma forte ligação emocional com seu cachorro. Por também ocorrer em horários aleatórios e mesmo à longa distância, Sheldrake atribui à telepatia o fato do cão captar a intenção de seu dono em voltar para casa, pois a mesma pode ocorrer através de enormes distâncias, assim como os fenômenos gravitacionais, elétricos e magnéticos (Cf. SHELDRAKE, Rupert. Cães sabem quando seus donos estão chegando. 2ª ed. Rio de Janeiro, Ed. Objetiva, 2000, pp. 67, 69-71,75-76, 370-373). Há cerca de 20 anos atrás, tive uma experiência muito peculiar com o meu cachorro, chamado Byron, um Cocker muito esperto, pois o que tinha de inteligente, tinha de travesso, no sentido de fazer arte e aprontar. Certa vez, acordei no meio da noite com um sonho, que mais parecia um pesadelo: eu me olhava no espelho e via um jato esguichar do meu ouvido. Assustado, fui até a cozinha tomar um copo de água. Nesse momento, vi o Byron choramingando e observei que ele apresentava um quadro agudo de otite, com intensa secreção mucopurulenta. Após tratá-lo, fiquei refletindo e questionando se ocorreu alguma forma de comunicação do Byron comigo, naquela noite. Hoje, tenho convicção que sim; talvez tenha sido uma forma dele pedir ajuda para que eu o aliviasse daquele sofrimento.

Realizei meu curso de especialização em Homeopatia pela Sociedade Gaúcha de Homeopatia, entre 1992 e 1994, em que era preconizada a utilização da metodologia unicista, a partir de uma concepção vitalista, em que a doença seria resultado de uma desarmonia da força vital, responsável por todas as sensações e funções do organismo, sendo manifestada por sintomas. O tratamento deveria ser voltado para o doente, como um todo, buscando a sua individualização, através do estudo de seus sintomas, de ordem mental, geral e física. Desde o começo, valorizei muito os sintomas mentais, que são os sintomas do comportamento, nos animais, interpretando-os à luz de meu entendimento e compreensão. Ou seja, realizava uma antropomorfização, criticada por muitos. Entretanto, comecei a obter resultados interessantes e promissores, embora minha pouca vivência como homeopata. À medida que ia ganhando experiência, via meu trabalho consolidar-se.

Em 1995, numa Jornada de Homeopatia Veterinária, em Curitiba-PR, conheci o Dr. Juan Agustin Gómes, discípulo do Dr. Masi Elizalde, que propunha um modelo mais profundo de estudo de cada paciente, trazendo conceitos como dinâmica miasmática e um terceiro nível de abordagem e compreensão do doente através da Homeopatia. Assisti a diversos cursos e conferências do Dr. Juan Gómes, a quem agradeço muito pelo aprendizado que obtive e considero uma das minhas grandes referências no estudo da Homeopatia, além de um grande exemplo de ser humano, pelo seu respeito e dedicação à saúde dos animais. Gómes afirma que é possível aplicar os princípios da Homeopatia nos animais, pois a força vital é universal, sendo a mesma em todos os seres vivos, e suas manifestações ocorrem em todos eles, da mesma maneira. Além disso, a ação dos medicamentos homeopáticos tem sido experimentada em seres humanos, não havendo necessidade da experimentação em animais, por ser o homem o melhor animal de experimentação, pois pode expressar verbalmente o que sente. Conclui afirmando que todas as doenças, agudas ou crônicas, físicas ou psíquicas, graves ou banais dos animais podem ser tratadas mediante a aplicação do método homeopático (Cf. GÓMES, Juan Agustin. Homeopatia Para Sus Animalitos. Buenos Aires, Ed. Kier, 1998, p. 21.). As sábias palavras e ensinamentos deste grande, extremamente competente e experiente Médico Veterinário Homeopata serviriam como alicerce, que consolidava cada vez mais meu caminho através da Homeopatia, mostrando que, apesar de inúmeras dúvidas e incertezas, estava no rumo certo.

Outro expoente da Homeopatia Veterinária brasileira e sul-americana, o Dr. Antonio Sampaio recebeu o primeiro título de especialista em Homeopatia na Medicina Veterinária no Brasil, concedido pelo Conselho Federal de Medicina Veterinária, em 1986. Assisti a várias palestras e conferências ministradas pelo Dr. Sampaio, desde 1993, em congressos e jornadas promovidas pela Associação Médica Homeopática do Paraná. Também aprendi muito com este grande Médico Veterinário Homeopata. Sampaio relata os questionamentos e as incertezas durante o período inicial de estudo da Homeopatia, pois no curso era ensinado que os sintomas psíquicos eram fundamentais para a eleição do medicamento mais adequado ao paciente humano. E como seria nos animais? Afinal, estes eram tidos como irracionais, tendo um comportamento instintivo, não psíquico. Dessa forma, passou a observar o comportamento do animal, comparando-o com o comportamento humano, utilizando os sintomas do psiquismo humano que possuiam semelhança com o comportamento do animal. Além de constatar correspondência de um grande número de sintomas de ordem psíquica humana nos animais, observou que à medida que utilizava o medicamento homeopático correspondente aos sintomas psíquicos selecionados, ocorria modificação no comportamento do animal. Sampaio ressalta a necessidade de compreensão do animal como indivíduo, que também teria um universo mental particular e sofreria as variações do meio, conforme o seu modo de ser, o que poderia ocasionar o seu adoecimento físico e psíquico, muito em função do homem não compreender que os animais poderiam ter sentimentos, sensibilidade e inteligência, captando a desarmonia do meio em que se encontram. Sampaio conclui afirmando que um dos objetivos de seu trabalho com Homeopatia é conscientizar o ser humano sobre a sua responsabilidade com os animais, mostrando que o homem não possui a exclusividade da inteligência, dos sentimentos e do afeto. (Cf. SAMPAIO, Antonio. Homeopatia em Medicina Veterinária. Curitiba, Ed. El Erial, 1995, pp. 10-16)

Conforme a Dra. Maria do Carmo Arenales, em "Sintomas Mentais dos Animais Domésticos" (Ed. Mythos, 1995), o processo de domesticação ocasionaria o sofrimento existencial do animal, sendo a causa da sua doença. Arenales cita um relato de Samuel Hahnemann, em que o criador da Homeopatia afirma a possibilidade de cura nos animais através do método homeopático, desde que haja relação de semelhança entre os sintomas do animal doente e os sintomas mórbidos do medicamento eleito para tratá-lo, enfatizando que as diversas modificações que podem ser observadas em sua aparência, conduta e funções naturais e vitais substituem perfeitamente as palavras. Arenales afirma que os animais são sempre autênticos ao demonstrar as suas emoções, expressando-as através de sua conduta, personalidade, humor, sensibilidade e afetividade, sendo que podemos interpretar estas emoções pelo estudo de seu comportamento, à luz do antropomorfismo. Complementa, sustentando que as emoções humanas que não foram mescladas aos animais foram a mentira, a hipocrisia e a falsidade (ARENALES, Maria do Carmo. Sintomas Mentais dos Animais Domésticos. São Paulo, Ed. Mythos, 1995, pp. 7, 52, 53, 59 e 61). Isto me faz lembrar do relato de uma cliente, em que atendi diversos cães e gatos de sua propriedade. Ao constatar que a evolução do tratamento homeopático apresentava resultados muito mais rápidos e satisfatórios nos seus animais, quando comparada ao tratamento homeopático humano, conforme a sua experiência, esta cliente afirmava que isto ocorria pelos animais serem mais "puros e limpos"; dessa forma, o medicamento homeopático teria condições de atuar em seus organismos de uma forma mais célere, plena e eficaz.

Os testemunhos de Gómes, Sampaio e Arenales, três precursores da Homeopatia Veterinária no continente sul-americano, corroboram a minha concepção de abordagem do paciente, valorizando os sintomas mentais nos animais, pois eles realmente possuem inteligência, sentimentos e emoções, expressados através de seu comportamento. Cabe a nós, homeopatas, compreendê-los, a partir de uma meticulosa anamnese e uma sagaz observação, aliada a uma apurada sensibilidade, valendo-nos do antropomorfismo.

Eu considero muito importante o reconhecimento e a valorização de quem possibilitou que hoje pudéssemos trabalhar de uma forma mais segura e eficaz com Homeopatia. Além dos colegas já citados, presto uma homenagem especial ao Dr. Cláudio Martins Real, primeiro Médico Veterinário Homeopata Brasileiro, desde o final da década de 1940. Fico imaginando as enormes dificuldades enfrentadas, naquela época, por este ícone da Homeopatia mundial. Além de homenageá-la, presto um agradecimento mais que especial à Dra. Maria de Lourdes Alves Alexandre, outra profissional fundamental no desenvolvimento da Homeopaia Veterinária brasileira. Foi por seu exemplo, em meados dos anos 1980, quando ainda cursava a Faculdade de Medicina Veterinária da UFRGS, em Porto Alegre, em um momento que a Homeopatia era totalmente desprezada (e até ridicularizada) no meio acadêmico, que percebi que esta consiste em um sistema terapêutico sério, podendo ser viável a sua utilização em animais. Além disso, coube à Dra. Maria de Lourdes, na qualidade de professora das aulas práticas do curso de especialização que realizei pela SGH, a orientação dos meus primeiros passos na prática homeopática em Medicina Veterinária. Também homenageio o Dr. Sebastião Galiaço Prata, fundador do Instituto Jacqueline Pecker, em Campinas-SP. Foi lá, em 1989, que participei do I Curso de Homeopatia para Médicos Veterinários (não concluído). É louvável e merece todo o reconhecimento a luta do Dr. Prata, no sentido de defender e divulgar a Homeopatia. Poderia, ainda, citar tantos outros colegas, que contribuíram para que a Homeopatia tivesse uma maior credibilidade em Medicina Veterinária. Por favor, sintam-se representados pelos acima mencionados. Faço este relato, pois considero muito importante, principalmente para as novas gerações, conhecer um pouco da história de quem foram os precursores da Homeopatia Veterinária no Brasil, em um momento que as dificuldades elevavam-se a um nível exponencial, se comparadas aos dias de hoje, seja em termos de acesso ao conhecimento ou, até mesmo, em relação ao preconceito e intolerância contra quem ousava ter a coragem de estudar e trabalhar com Homeopatia, contrariando (e, por vezes, até enfrentando) o establishment de sua época. Por isso, muito RESPEITO com estes profissionais! Se hoje podemos ter a liberdade de escolha de estudar Homeopatia em alto nível na Medicina Veterinária, devemos muito a todos eles. Além do mais, considero muito importante a troca de experiências, aprendendo mutuamente uns com os outros. Não importa se seguimos a linha unicista ou pluralista, utilizando o modelo de Kent, Elizalde ou Vannier, pois todos temos em Hahnemann o autêntico criador do tratamento pelos semelhantes. Assim como não importa se fundamentamos nosso trabalho no vitalismo ou na visão sistêmica, pois o que importa mesmo é termos condições de proporcionar uma vida digna, saudável e de qualidade aos nossos queridos pacientes, os animais!

Mas, voltemos ao tema de nosso artigo: comportamento canino. Como citei anteriormente, tive formação unicista, em que o tratamento é específico para o doente, não para a doença. No parágrafo 9, de seu Organon da Arte de Curar, Hahnemann afirma que no estado de saúde, a força vital imaterial mantém todo o organismo em harmonia, em suas sensações e funções. Para George Vithoulkas, a força vital dirige todos os aspectos da vida do organismo, como animar a vida emocional do indivíduo e fornecer pensamentos e criatividade (Cf. VITHOULKAS, George. Homeopatia: Ciência e Cura. São Paulo, Ed. Cultrix, 1985, pp. 94-95). E nos animais, como conceber essa força vital? Juan Gómes afirma que a força vital é universal, a mesma em todos seres vivos, e suas alterações se manifestam em todos eles, da mesma maneira (Gómes, 1995). No parágrafo 7 do Organon, Hahnemann sustenta que a doença tem origem na afecção da força vital, sendo refletida na totalidade dos sintomas, ressaltando, no parágrafo 17, que a doença representa o transtorno mórbido da força vital. Kent segue a linha de Hahnemann, afirmando que a doença tem origem no transtorno da força vital, sendo representada pela totalidade dos sintomas que cada enfermo manifesta individualmente. Ao enfatizar a necessidade de individualização de cada paciente, Kent afirma que é um grande equívoco prescrever medicamentos para doenças específicas, assim como considerar casos semelhantes na abordagem de cada paciente, devendo-se estudar cada novo caso sem estabelecer comparações, nem pensar nos casos curados anteriormente. Assim sendo, defende, veementemente, a utilização de medicamento específico para o doente, medicamento este que deve ser identificado após um cuidadoso estudo do caso, pesquisando os sintomas característicos que individualizarão o doente, especialmente os considerados raros, estranhos e peculiares (Cf. KENT, Jame Tyler. Homeopatia Doctrina. Caracas, Universidade Central da Venezuela, 1986, pp. 163, 164, 189 e 194). Célia Barollo afirma ser necessário tratar o doente como um todo, pois o ser humano nunca adoece em uma parte isolada de seu corpo, pois qualquer doença é reflexo de um desequilíbrio de todo o organismo. Barollo ressalta que é preciso identificar os sintomas peculiares a cada doente, aqueles que o fazem diferente dos demais, pois cada indivíduo terá seu medicamento próprio. Dessa forma, enfatiza a necessidade da individualização de cada doente, sendo que o homeopata não deve prescrever segundo uma determinada patologia, mas conforme a compreensão que tem de seu paciente. Assim sendo, índivíduos com a mesma doença poderão receber medicamentos distintos (Cf. BAROLLO, Célia. Aos Que Se Tratam Pela Homeopatia. 6ª ed. São Paulo, Ed. Typus, 1995, pp. 22-24 e 56). E na Medicina Veterinária, como seria? Juan Gómes afirma que o homeopata deve tratar o paciente e não a enfermidade que o mesmo apresenta, sendo cada paciente único, inédito e irreproduzível, pois em Homeopatia não há doenças, mas doentes. Salienta que o tratamento é sempre individual e particular, sendo cada paciente único e diferente de qualquer outro, ainda que aparentemente sofra da mesma enfermidade. Adverte, ainda, que este fato faz com que o tratamento se desenvolva como um processo, que exige muito estudo, conhecimento, tempo e paciência (Cf. GÓMES, Juan Agustin. Anotações da I Jornada de Aprofundamento em Homeopatia Veterinária. Curitiba, Centro Brasileiro de Homeopatia Veterinária, 2001). Deve-se, ainda, considerar a suscetibilidade individual no tratamento de cada paciente. Para Kent, o pensamento e a vontade, quando são falsos e incorretos, criam a suscetibilidade à doença, sendo que o transtorno dinâmico da força vital origina a suscetibilidade, consistindo em uma predisposição a adoecer (Cf. KENT, Jame Tyler. Homeopatia Doctrina. Caracas, Universidade Central da Venezuela, 1986). Juan Gómes afirma que suscetibilidade é um estado prévio de desequilíbrio, de predisposição, que possibilita e favorece a manifestação da doença. É o primeiro resultado da desarmonia da força vital e manifesta-se por sintomas. Consiste na dificuldade de perceber a realidade como ela é, aparecendo com o erro (Cf. GÓMES, Juan Agustin. Anotações da I Jornada de Aprofundamento em Homeopatia Veterinária. Curitiba, Centro Brasileiro de Homeopatia Veterinária, 2001). Por exemplo, um cachorrinho da raça Pinscher que quer avançar e provocar briga com um outro cão; só que este cão é da raça Fila, em torno de dez vezes ou mais maior que ele. Este Pinscher está avaliando de forma equivocada esta situação, porque, em condições normais, ele iria apanhar feio, colocando em risco a própria vida. Este é um exemplo de avaliação equivocada da realidade em caninos.

Desde o começo da minha carreira como homeopata, direcionei o meu trabalho ao tratamento de doenças crônicas e distúrbios comportamentais em cães e gatos. Confesso que tratar casos de transtornos de comportamento através da Homeopatia sempre foi a área de maior interesse em meu trabalho. E sempre da forma mencionada nos parágrafos anteriores, ou seja, o tratamento deveria ser específico para o indivíduo doente, não para determinada doença que ele apresentasse. Mas, para isso, seria preciso fazer um profundo e minucioso estudo da totalidade de seus sintomas. Por exemplo, um paciente canino que viesse consultar pelo seu proprietário queixar-se de um determinado distúrbio comportamental, deveria ser tratado como um todo, através de um detalhado e meticuloso estudo de seus sintomas, que o caracterizariam como um indivíduo único. Assim sendo, não custa repetir que o tratamento pela Homeopatia é sempre específico para o doente, não para a doença. E isto vale, especialmente, para quadros crônicos, incluindo os distúrbios de comportamento. Se me perguntassem: "É fácil trabalhar com Homeopatia?". Responderia que os excelentes resultados que este sistema terapêutico é capaz de proporcionar acabam compensando o imenso trabalho de estudo e pesquisa que deve ser feito em cada paciente, para que alcancemos a excelência em nosso trabalho com Homeopatia. E esta questão de tratar o doente em sua totalidade acaba propiciando um outro aspecto muito interessante: além da melhora dos sintomas inerentes ao diagnóstico relacionado à queixa principal, comumente ocorrem melhoras concomitantes, de ordem física e comportamental. O que, na verdade, é bastante lógico, pois se o tratamento não é direcionado apenas para um quadro clínico específico, mas para todo o organismo, seria esperado, realmente, a ocorrência de melhoras significativas no indivíduo como um todo.

Durante 8 anos realizei um trabaho voluntário na Liga Homeopática do RS, em Porto Alegre, onde desenvolvi, concomitantemente, um trabalho de pesquisa na minha área de atuação, ou seja, tratamento de doenças crônicas e distúrbios comportamentais em cães e gatos pela Homeopatia. O caso a seguir é um exemplo bem representativo da ocorrência de melhoras concomitantes. O paciente era um canino, sem raça definida, sexo masculino, com um ano e meio de idade. Sua proprietária procurou o tratamento pela Homeopatia em função do paciente apresentar um quadro de hiperatividade, relatando ser ele muito ansioso e agitado, principalmente na rua, quadro este agravado por sua desobediência, não respondendo aos comandos. Conforme já afirmei diversas vezes, o tratamento deve ser específico para o doente, não para a doença. Dessa forma, abordei este paciente como um todo, não apenas em relação à sua hiperatividade, pois o objetivo seria estabelecer um tratamento específico, individual, através de um profundo e meticuloso estudo da totalidade de seus sintomas, que possibilitaria a compreensão de seus sofrimentos, de suas particularidades e sensibilidades. Portanto, o tratamento homeopático não consiste em aplicar protocolos específicos para uma determinada condição, mas deve ser específico para cada indivíduo, se quisermos alcançar um alto grau de eficácia em nosso trabalho com Homeopatia. Durante os 6 meses em que esteve sob nosso acompanhamento, este paciente apresentou uma melhora gradual e consistente em sua hiperatividade, chegando a 80% de melhora em relação à sua condição inicial, de acordo com a sua proprietária. Além disso, apresentou outras melhoras em nível comportamental, relacionadas à desobediência, medo de barulho, medo de água e micção submissa. Também apresentou melhoras significativas em nível físico, relacionadas ao apetite voraz, arrotos, vômitos, diarreia, flatulência, urina fétida e corrosiva, conjuntivite, balanite, seborreia e odor fétido. Consequentemente, o paciente apresentou uma melhora significativa em sua qualidade de vida, para satisfação de seus proprietários. Um dado interessante é que este paciente foi tratado apenas pela Homeopatia, não sendo feito uso de nenhum medicamento da farmacologia clássica para tratamento e controle de sua hiperatividade, durante o período que esteve sob o nosso acompanhamento.

Algumas considerações a respeito do caso anterior. De acordo com Horwitz & Neilson, em "Comportamento canino & felino", a hiperatividade é uma queixa bastante corriqueira, relacionada a hiper-reatividade, excitabilidade e/ou atividade excessiva, não ocorrendo, comumente, em razão de um transtorno psicológico, mas devido a condutas inerentes a determinadas raças ou a um comportamento condicionado de forma inadvertida. Porém, determinados casos de hiperatividade e hiperexcitabilidade tem origem em um genuíno distúrbio psicológico. Estes animais são considerados hipercinéticos, não se acostumando facilmente a excitações do meio ambiente, reagindo de maneira exagerada. A fisiopatologia da hipercinese ainda não está clara, sendo proposto que animais hipercinéticos possam ter anomalias em seus sistemas dopaminérgicos, noradrenérgicos ou serotoninérgicos. Um sinal característico de hipercinese consiste em falha em habituar-se a estimulação externa, presente de forma marcante em nosso paciente. Nestes animais, modificação comportamental sem utilização de drogas raramente oferece bons resultados. O tratamento farmacológico clássico inclui drogas, como metilfenidato e D-anfetamina. O prognóstico de cães hipercinéticos implica em intervenção prolongada com drogas, além de interferência comportamental, sendo que pode-se fazer uma tentativa de retirada progressiva da terapia com drogas após um período duradouro de sucesso no tratamento, incluindo diversos meses (HORWITZ, Debra F. & NEILSON, Jacqueline C. Comportamento canino & felino. Porto Alegre, Ed. Artmed, 2008, pp. 410-417). O metilfenidato provoca grave dependência psíquica ou física em seres humanos, suscitando, aparentemente, efeitos equivalentes em animais (JONES, L. Meyer, BOOTH, Nicholas H. & McDONALD, Leslie E. Farmacologia e Terapêutica em Veterinária. 4ª ed. Rio de Janeiro, Ed. Guanabara Koogan, 1983, p. 12). Já o efeito tóxico da d-anfetamina consiste na possibilidade de provocar distúrbios de ordem neurológica, podendo chegar até a um estado psicótico (TABER. Dicionário Médico Enciclopédico. 17ª ed. Barueri-SP, Ed. Manole, 2000.).

A Medicina Clássica está fundamentada no paradigma mecanicista cartesiano, utilizando uma concepção materialista e reducionista de saúde e doença, que tem por objetivo compreender o todo através da análise de suas menores partes. Dessa forma, a doença, em sua integralidade, seria revelada pela análise celular, bioquímica e molecular, através da utilização dos mais variados recursos laboratoriais. Sustenta-se, ainda, no pensamento positivista, só aceitando como verdadeiro o que pode ser comprovado cientificamente. Quanto aos distúrbios de conduta nos animais, é fundamental diferenciar se a origem é neurológica ou autenticamente comportamental. De acordo com Fenner: "As alterações do comportamento e da personalidade que resultam de enfermidades neurológicas em geral indicam um sinal de lesão cerebral. Um grande número de alterações do comportamento e da personalidade é resultado de anormalidades do ambiente e do treinamento, de distúrbios endócrinos e assim por diante. Um exame neurológico cuidadoso pode separar as causas neurológicas estruturais das anormalidades verdadeiras do comportamento" (FENNER, William R. Manual de Prática Clínica Veterinária. Rio de Janeiro, Ed. Guanabara Koogan, 1985, p. 181).

Tenho por critério atuar de forma complementar, integrada e, ao mesmo tempo, independente ao colega Médico Veterinário parceiro, seja clínico geral ou de outra especialidade, pois acredito na sinergia entre o meu trabalho com Homeopatia e o do colega parceiro, em prol e benefício de nossos pacientes. Na minha opinião, o grande diferencial da Homeopatia está no tratamento de quadros crônicos, incluindo os distúrbios de comportamento, especialmente nos casos em que o tratamento clássico apresenta resultados parciais ou insatisfatórios. Partindo desta premissa, proponho uma reflexão sobre o caso que trouxe como exemplo, de um canino apresentando um quadro de hiperatividade. O tratamento pela Homeopatia mostrou-se eficaz durante o período em que o paciente esteve sob nosso acompanhamento. E o medicamento homeopático não apresenta efeitos tóxicos, pois sua ação não está fundamentada no efeito bioquímico e molecular da farmacologia clássica (para mais informações, sugerimos a leitura de "Alguns comentários sobre a ação do medicamento homeopático"). Mas, por favor, não estou querendo insinuar que o tratamento clássico deva ser deixado de lado, pois cada caso deve ser analisado individualmente. Eu só faço esta reflexão após mais de duas décadas de muito estudo, pesquisa e prática clínica em Homeopatia. E, como sempre recomendo, um dos requisitos básicos para alcançar um alto grau de eficácia através do tratamento homeopático é ter um justo e fidedigno critério, baseado em conhecimento, bom senso e responsabilidade. Por isso, considero importante atuar de uma forma complementar e integrada com o colega Médico Veterinário parceiro, seja clínico geral ou de outra especialidade, como é o caso da Neurologia. Entretanto, a bem da verdade, é preciso ter consciência, admitir e enfatizar que o tratamento homeopático tem excelentes condições de possibilitar uma evolução bastante positiva, proporcionando saúde, bem-estar e qualidade de vida, constituindo-se em uma alternativa viável e segura no tratamento de distúrbios comportamentais em caninos. Porém, alguns aspectos básicos devem ser respeitados, como o tratamento ser específico para o doente, não para a doença. Portanto, nós temos esta opção, de escolher o tratamento pelos semelhantes, respeitadas as diversas variáveis incluídas em cada contexto. É uma questão de escolha! E isto nos remete à física quântica, na questão da dualidade do elétron, podendo o mesmo ser encontrado sob forma de onda ou de partícula, ou seja, em seu aspecto de matéria ou sob forma de energia. Mas é o observador quem escolhe o resultado, que dependerá do modo como decide observar o elétron (GOSWAMI, 2003). Fazendo uma analogia, nós podemos conceber e abordar o paciente baseados em um modelo mecanicista cartesiano, concebendo a sua doença a partir de uma alteração anátomo-funcional, utilizando, como instrumento terapêutico, a farmacologia clássica. Ou podemos compreender o nosso paciente utilizando um outro paradigma, que teve início há mais de 200 anos atrás, pela inconformidade e ousadia de Samuel Hahnemann, que propôs uma nova maneira de tratarmos o doente, utilizando o princípio da semelhança. A escolha é nossa! Nós temos esta opção! Sim, é possível! Inclusive, podemos optar pela flexibilidade, avaliando cada caso de forma individual, até mesmo em relação a todo o contexto que o envolve. E, como sempre falo, na minha opinião a Homeopatia e a Medicina Clássica não são sistemas terapêuticos antagônicos ou excludentes, mas complementares, podendo atuar em sinergia, em prol e benefício de nossos pacientes, proporcionando a eles uma vida digna, saudável e de qualidade. É tudo uma questão de escolha!

A seguir, alguns exemplos de pacientes caninos com distúrbios comportamentais, tratados pela Homeopatia. Importante: em todos estes casos, tratamos cada indivíduo em sua totalidade, através de um profundo e minucioso estudo dos sintomas de cada paciente, buscando a sua individualização. Ou seja, o tratamento sempre foi específico para o doente, não para a doença (neste caso, o distúrbio comportamental apresentado pelo paciente).

* Caso de AGRESSÃO em canino, raça Akita, sexo masculino, 5 anos e meio de idade. Agressivo desde os 2 anos, principalmente com pessoas estranhas, certa vez agrediu violentamente um familiar que foi fornecer sua comida. Ainda matou 3 gatos estranhos que entraram em seu pátio e um coelho de estimação, com quem convivia. É agressivo com cães da rua. Durante os 6 meses em que esteve sob o nosso tratamento homeopático, apresentou melhoras significativas e consistentes, não demonstrando mais agressividade com pessoas familiares ou estranhas, nem com outros animais.

* Caso de ANSIEDADE DE SEPARAÇÃO em canino, raça Yorkshire, sexo masculino, com 5,5 anos. Mostrava-se contrariado e ficava chorando quando a sua dona saía e não o levava junto, urinando por toda a casa, quando ficava sozinho. Durante os 10 meses em que esteve sob o nosso tratamento homeopático, apresentou melhoras bastante significativas, aceitando bem melhor quando a sua dona saía de casa, passou a não chorar mais, ficando mais tranquilo e diminuindo consideravelmente a MICÇÃO INADEQUADA EM CASA ao ficar sozinho.

* Caso de VOCALIZAÇÃO EXCESSIVA em canino, da raça Dachshund, sexo masculino, 9 anos de idade. A proprietária reclamava que o paciente latia muito, por qualquer motivo, de forma escandalosa e até histérica, principalmente chegando visitas em casa, não deixando os seus donos conversarem adequadamente. Desde o começo, o tratamento pela Homeopatia proporcionou uma melhora significativa e consistente, durante os quase 3 anos e meio em que o paciente esteve sob o nosso acompanhamento, diminuindo consideravelmente os seus latidos.

* Caso de FOBIA DE BARULHO em canino, SRD, sexo feminino, 8 anos de idade. A paciente apresentava um quadro de medo e pânico, provocado por trovões e foguetes; ultimamente, demonstrava medo até com carros de som, sirenes, etc. Estes últimos medos, melhoraram totalmente desde o início de nosso tratamento homeopático, sendo que a fobia aos barulhos provocados por foguetes e trovões apresentaram melhoras significativas e consistentes, chegando a 80% em relação à sua condição inicial, com a paciente permanecendo estabilizada durante os quase 2 anos em que esteve sob o nosso acompanhamento.

* Caso de TRANSTORNO COMPULSIVO em canino, da raça Maltês, sexo masculino, com 1 ano de idade. O paciente apresentava um quadro de lambedura intensa e compulsiva de extremidades, puxando e arrancando os pelos, além de provocar lesões. Apesar de ocorrer um período de recidiva dos sintomas, durante a etapa inicial de tratamento, o paciente apresentou melhoras significativas e consistentes, permanecendo estabilizado na maior parte dos 9 meses em que esteve sob o nosso acompanhamento.

* Caso de MICÇÃO POR EXCITAÇÃO em canino, da raça Lhasa Apso, sexo masculino, com 2 anos de idade. De acordo com o relato de seus proprietários, o paciente urinava por ser muito "nervoso", em situações que o estimulavam, como receber carinho, por exemplo. Desde o começo do tratamento homeopático, apresentou melhoras significativas e consistentes, embora intercaladas por um período recidivante. Entretanto, passou por fases de melhora total, permanecendo estabilizado na maior parte dos 13 meses em que esteve sob o nosso acompanhamento.

* Caso de DESOBEDIÊNCIA em canino, SRD, sexo masculino, com 2,5 anos de idade. Durante os passeios, frequentemente não aceitava os comandos, teimando em ficar parado ou puxando para ir em outra direção. Desde o início, apresentou melhoras significativas, passando a obedecer os comandos de suas proprietárias, permanecendo estabilizado durante os quase 2 anos em que esteve sob o nosso tratamento pela Homeopatia.

* Caso de MASTIGAÇÃO DESTRUTIVA em canino, SRD, sexo masculino, com 1,5 ano de idade. O paciente adorava roer, mastigar e destruir qualquer objeto que encontrasse pela frente, como roupas, calçados e jornais. Nos 4,5 meses em que esteve sob o nosso acompanhamento, ocorreu apenas 1 episódio de matigação destrutiva, demonstrando que o tratamento pela Homeopatia, além de ser altamente eficaz, pode proporcionar resultados altamente satisfatórios em um curto período de tempo.

* Caso de AGRESSÃO DIRIGIDA A CÃES FAMILIARES em canino, SRD, sexo feminino, com 9 anos de idade. A paciente ficava furiosa com outros cães da casa, adotados em torno de 1 ano antes, não aceitando nem ficar no mesmo ambiente que eles; não podia nem enxergá-los, que já partia para a agressão. Desde o começo do tratamento homeopático, passou gradativamente a se aproximar dos outros cães e a se socializar com eles. Com o decorrer do tempo, passou a conviver em paz e harmonia, com aqueles cães que antes de nosso tratamento era "inimiga mortal".

* Caso de HIPERATIVIDADE em canino, SRD, sexo masculino, com 18 anos de idade. O paciente apresentava uma grande inquietude durante à noite, circulando por toda a casa e indo de um quarto para o outro, perturbando o sono de suas proprietárias. Após iniciar o nosso tratamento homeopático, ficou mais calmo, passou a dormir melhor, raramente levantando de sua cama durante à noite, propiciando um repouso mais tranquilo para as suas donas. Este paciente permaneceu estabilizado durante os quase 10 meses em que esteve sob o nosso acompanhamento, demonstrando que o tratamento pela Homeopatia pode ser eficaz mesmo em pacientes com uma idade avançada.

* Caso de FOBIA DE BARULHO em canino, raça Pinscher, sexo feminino, com 5,5 anos de idade. A paciente tinha muito medo dos estrondos provocados por foguetes e trovões, entrando em pânico. Festas de fim de ano e foguetórios em geral causavam um transtorno muito grande para a paciente, sendo motivo de grande preocupação para as suas proprietárias. Desde o começo de nosso tratamento pela Homeopatia, a paciente apresentou melhoras significativas e consistentes, passando a enfrentar com mais segurança e coragem as situações a que era exposta, nunca mais apresentando crises de pânico e histeria pelos barulhos provocados por tempestades e rojões. Inclusive, passou a suportar os foguetórios de final de ano com mais tranquilidade. Dessa forma, a paciente manteve-se estabilizada durante os quase 5 anos em que esteve sob o nosso acompanhamento, com a sua proprietária chegando a avaliar em 99% a melhora da paciente em relação a sua condição inicial.

* Caso de ANSIEDADE DE SEPARAÇÃO em canino, raça Poodle, sexo feminino, com 8 anos de idade. Extremamente apegada aos donos, demonstrava sempre contrariedade ao ficar sozinha, chegando a adoecer quando seus donos viajavam. O tratamento homeopático a deixou mais segura, aceitando com mais naturalidade ficar sozinha em casa; inclusive, nunca mais adoeceu nas ocasiões em que seus donos viajaram, mantendo-se estabilizada nos quase 3 anos em que esteve sob o nosso acompanhamento.

* Caso de VOCALIZAÇÃO EXCESSIVA em canino, SRD, sexo feminino, com 1,5 ano de idade. A paciente latia por qualquer barulho e, principalmente, ficando sozinha em casa. Ao iniciar o nosso tratamento homeopático, ficou mais tranquila, passando a latir menos, inclusive na ausência de seus proprietários, permanecendo estabilizada durante os 7 meses em que esteve sob o nosso acompanhamento.

* Caso de MEDO DE PESSOAS ESTRANHAS em canino, SRD, sexo feminino, com 5 anos de idade. A paciente apresentava medo de pessoas estranhas, não deixando que se aproximassem; andando na rua, se encontrasse um grupo de pessoas, entrava em pânico e fogia. O tratamento homeopático fez com que ficasse mais calma e tranquila ao encontrar pessoas estranhas, não se importando tanto com a aproximação e aproveitando melhor o passeio.

* Caso de COPROFAGIA em canino, da raça Shih-Tzu, sexo masculino, com 2,5 anos. Após defecar, o paciente costumava comer as próprias fezes, fato que não ocorreu mais após iniciarmos o tratamento homeopático.

* Caso DE FOBIA DE BARULHO em canino, da raça Lhasa Apso, sexo feminino, com 3 meses de idade. A paciente apresentava medo de foguetes, trovões, sirenes e de vozes altas. Desde o início de nosso tratamento homeopático, apresentou melhoras significativas, praticamente ficando indiferente a estes estímuios, o que demonstra que o tratamento pela Homeopatia pode proporcionar grandes benefícios também em pacientes em idade pediátrica.

* Caso de AGRESSÃO em canino, raça Pequinês, sexo masculino, 4 anos de idade. O paciente não permitia que a sua dona o tocasse, avançando contra ela e mordendo. Extremamente agressivo com pessoas estranhas e com o outro cão da casa, que era muito dócil (frequentemente o machucava pelas mordidas). Melhoras graduais e significativas desde o começo, permanecendo estabilizado a maior parte do período de quase 10 anos em que esteve sob o nosso acompanhamento. Passou a permitir que a sua dona o tocasse, sem agredi-la; também melhorou significamente a sua relação com o outro cão da casa, praticamente não o agredindo mais, além de brincarem juntos, o que não ocorria antes do tratamento homeopático.

* Caso de MICÇÃO INADEQUADA EM CASA em canino, da raça Pinscher, sexo masculino, com 8 anos de idade. Este paciente, também apresentando um quadro de ANSIEDADE DE SEPARAÇÂO, passou a urinar por toda a parte, principalmente nas cortinas da residência, estando sozinho em casa, fato que iniciou 2,5 anos antes, desde que sua proprietária passou a trabalhar fora. Desde o começo de nosso tratamento, voltou a urinar apenas no local apropriado, permanecendo estabilizado enquanto esteve sob o nosso acompanhamento.

* Caso de MEDO DE ANDAR NA RUA em canino, raça Dachshund, sexo feminino, com 4 anos de idade. Quando saía na rua para passear, a paciente era excessivamente assustada, ainda mais se visse grupo de pessoas. O tratamento homeopático fez com que ficasse mais segura e tranquila, aceitando melhor o passeio.

* Caso de COMPORTAMENTO DE BUSCA DE ATENÇÃO em canino, raça Labrador, sexo masculino, 3 anos de idade. O paciente costumava seguir a sua dona por todos os cômodos da residência, apresentando, ainda, ANSIEDADE DE SEPARAÇÃO, pois chorava se ela saísse de casa ou se ficasse sozinho. Após o tratamento homeopático, passou a não ficar sempre atrás de sua dona, nem a chorar quando fica sozinho ou se ela sai de casa; inclusive, a dona viajou e não demonstrou sentir sua falta.

* Caso de MEDO DE CÃES em canino, Dachshund, sexo masculino, 3 anos de idade. O paciente sentia muito medo e ficava apavorado se outros cães se aproximassem dele, se encolhia todo e "botava o rabo entre as pernas"; por isso, detestava sair para a rua. Desde o começo de nosso tratamento homeopático, o paciente apresentou uma melhora gradativa e consistente, demonstrando segurança ao sair para a rua, se impondo mais, chegando até a latir e avançar em outros cães.

* Caso de AGRESSÃO ENTRE CÃES FAMLIARES em canino, raça Rottweiller, sexo feminino, com 7,5 anos de idade. Apesar de ser muito dócil, a paciente cansou de ser incomodada por outros 2 cães da casa, pois estes puxavam suas orelhas e não a deixavam em paz, passando a agredir e machucar os seus colegas. Após iniciarmos o nosso tratamento homeopático, a paciente nunca mais apresentou nenhum episódio de violência contra os outros cães, apesar deles continuarem a incomodá-la.

* Caso de ANSIEDADE DE SEPARAÇÃO em canino, raça Labrador, sexo feminino, com 5,5 anos de idade. A paciente ficava triste e amuada sempre que seus donos saíam de casa, como se "estivesse sofrendo". O tratamento homeopático fez com que aceitasse melhor essas situações, demonstrando estar conformada e tranquila toda vez que seus donos a deixavam sozinha em casa; inclusive, passou muito bem durante os 15 dias que eles se ausentaram por motivo de viagem.

* Caso de AGRESSÃO em canino, raça Poodle, sexo masculino, 12 anos de idade. O paciente era muito agressivo com a sua dona, avançando e tentando mordê-la, sempre que a filha da mesma encontrava-se em casa. A sua proprietária relatou uma melhora gradativa com o nosso tratamento homeopático, estimando em 80% a diminuição da agressividade; além disso, o paciente passou a permitir ser tocado e ser pego no colo.

A domesticação do cão passou por um processo de acasalamento seletivo, resultando em uma espécie biologicamente modificada em sua morfologia, fisiologia e comportamento, trazendo alguns transtornos físicos e psicológicos aos animais e também na relação com seus donos. Apesar de grande parte dos proprietários de cães relatarem que os consideram verdadeiros membros da família, um número expressivo deles acaba sendo rejeitado, sendo que alterações comportamentais são preponderantes para que isso ocorra. O que torna este fato ainda mais dramático, é que uma porção considerável dos animais renegados pelos seus donos acaba sendo sacrificada. Durante muito tempo, os animais foram considerados seres autômatos, agindo apenas por instinto, sem possuir inteligência, sentimentos ou emoções, de acordo com o pensamento cartesiano, dominante no mundo ocidental. Contudo, estudos recentes corroboram as evidências de que os animais conseguem nos compreender e estabelecer comunicação em diversos níveis, além de possuírem sentimentos e demonstrarem emoções. A Homeopatia apresenta-se como um instrumento terapêutico viável e altamente eficaz no tratamento dos mais diversos distúrbios de comportamento em cães, fato atestado por renomados médicos veterinários homeopatas e comprovado por este autor, inclusive mediante a realização de um estudo de eficácia com excelentes resultados. Entretanto, para alcançarmos a excelência no tratamento homeopático de distúrbios comportamentais, precisamos respeitar a concepção de saúde e doença em Homeopatia, que é diferente da que estamos acostumados, pois o tratamento deve ser específico para o doente, não para a doença (representada por dada alteração comportamental), considerando a totalidade de seus sintomas, buscando a sua individualização. Dessa forma, teremos condições de beneficiar extraordinariamente os nossos melhores amigos, corrigindo e atenuando disfunções originadas pelo próprio ser humano, seja por acasalamento seletivo para reforçar determinados padrões raciais, seja por um manejo inadequado na criação de nossos cães, evitando que muitos deles sejam abandonados e, o que é ainda pior, terminem sendo sacrificados. É por isso que a Homeopatia é linda, importante e fundamental, porque age em defesa da vida, do bem-estar e da felicidade. Melhorando significativamente os sintomas relacionados a problemas de comportamento em cães, o tratamento homeopático harmoniza de forma exuberante a relação destes com seus responsáveis, proporcionando uma vida mais digna, equilibrada, saudável e de qualidade aos nossos queridos amigos.


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Dr. Celso Affonso Machado Pedrini

Médico Veterinário

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